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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

' VERBA DESVIADA ERA DADA A RICARDO MOTTA NA ASSEMBLÉIA '

Fábio Hollanda diz que Ricardo Motta recebeu dinheiro de fraudes em espécie.
Réu Gutson Reinaldo disse que deputado ficava com 60% da verba.


Fred Carvalho
Do G1 RN
 
 
Gutson Reinaldo prestou depoimento na manhã desta segunda-feira (22) (Foto: Fred Carvalho/ G1)
 
 
Parte do dinheiro desviado do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) era entregue ao deputado estadual Ricardo Motta (PROS) na Assembleia Legislativa, em um dos anexos da Assembleia e na casa do parlamentar. A informação foi repassada pelo advogado Fábio Hollanda, que defende o ex-diretor administrativo do Idema Gutson Johnson Giovany Reinaldo no processo da operação Candeeiro.
 
A ação, deflagrada pelo Ministério Público em setembro de 2015, apura desvios de mais de R$ 19 milhões no órgão. Porém, segundo Clebson José Bezerril, ex-diretor financeiro do Idema e que também é réu no processo, o valor da fraude deve chegar a casa dos R$ 30 milhões.
 
"Meu cliente disse que por diversas vezes entregou dinheiro, em espécie, pessoalmente ao deputado Ricardo Motta. Esses repasses eram feitos na própria Assembleia Legislativa, em um anexo da Assembleia e até na casa do parlamentar. A testemunha disso é um ex-motorista de Gutson, que pode relatar que ele ía aos encontros com o deputado com uma mala com dinheiro e voltava sem ela. Além disso, colocamos à disposição da Justiça a quebra do sigilo telefônico de Gutson. Isso poderá mostrar a quantidade de vezes que meu cliente e o deputado se falaram nesse período das fraudes", falou Hollanda
 
Em nota, Ricardo Motta negou as acusações de Gutson. "Venho a público manifestar meu repúdio diante de noticiário sobre declaração de ex-diretor do Idema citando de forma espúria e sem provas o meu nome. Nada do que foi dito é verdade. Nada, absolutamente, nada.Por isso, tomarei as medidas cabíveis para que este absurdo não fique impune. Não fui responsável por sua indicação, nomeação, tampouco pelos seus atos e jamais aceitarei a calúnia cometida contra a minha pessoa", diz a nota.
 
Fábio Hollanda voltou a afirmar que Gutson continua interessado em firmar um acordo de delação premiada com o Ministério Público. "O Gutson tem muitas provas tanto testemunhais como documentais que vão mostrar à sociedade do Rio Grande do Norte muito do que acontecia ou ainda acontece na Assembleia Legislativa e também no Poder Executivo estadual", frisou.
 
Deputado Ricardo Motta nega envolvimento com fraudes no Idema (Foto: Eduardo Maia/ALRN)
 

Medo
Gutson Reinaldo prestou depoimento ao juiz da 6ª vara Criminal de Natal, Guilherme Newton Pinto, na tarde desta segunda-feira (22). Ele iniciou o depoimento dizendo que está "preocupado". "Temo pela minha família. O que vou dizer aqui e o que ainda estou disposto a dizer envolve gente importante, influente no Rio Grande do Norte", ressaltou.

Durante o depoimento, Gutson confessou as fraudes e disse que parte do dinheiro desviado do Idema era repassado para Ricardo Motta. Segundo ele, 60% da verba fraudada ficava com o deputado, 20% com ele e os outros 20% eram rateados entre dois ou três dos réus do processo.

Gutson Reinaldo disse que foi nomeado para o Idema no início de 2011. Segundo ele, ainda neste ano foi procurado por Ricardo Motta. "Ele me procurou e pediu dinheiro. Disse que estava com dívidas por causa das eleições de 2010, que precisava de mais dinheiro para as eleições de 2012 e que não tinha mais como tirar da Assembleia Legislativa. Diante disso, eu fiz a ponte entre esse agente político e as pessoas do Idema que sabiam como poderíamos desviar verba", falou Gutson.

 
Essas pessoas do Idema, ainda de acordo com Gutson, eram Clebson José Bezerril e Euclides Paulino de Macedo Neto. "Eu os procurei e perguntei se haveria como levantarmos esse dinheiro. Eles me disseram que sim. Diante disso, acertamos que haveria esses desvios por ofícios e que eu repassaria 60% para o deputado, ficaria com 20% por ser o intermediador e que Clebson e Euclides dividiriam os 20% restantes entre eles e qualquer empresário usado no esquema".

Gutson admitiu que muitas das vezes recebeu dinheiro em espécie de empresários. Ao todo, ele admite que recebeu cerca de R$ 4,5 milhões nas fraudes. Esse dinheiro foi lavado com a compra de imóveis e na criação de uma revendedora de veículos. "Montei a loja de veículos, comprei nove apartamentos em um prédio de luxo na Zona Sul de Natal, mais um outro apartamento, uma sala comercial, tenho um apartamento a receber e ainda uma casa em construção na cidade de Mossoró. Tudo com esse dinheiro do Idema", confessou.

 
 
 

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