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terça-feira, 17 de abril de 2018

ASSALTOS A ÔNIBUS AUMENTAM MAIS DE 10% NOS PRIMEIROS MESES DE 2018, DIZ SESED

A Região Metropolitana de Natal registrou no primeiro trimestre de 2018 um aumento de mais de 10% nos casos de assaltos aos transportes coletivos em comparação ao ano de 2017. Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed).

Em 2017, foram registrados, no total, 139 casos, enquanto no primeiro trimestre de 2018, aconteceram 154. Baseado neste número, ocorreu um aumento de 10,8% dos casos. Já na capital potiguar, houve uma variação de 16,8%, com 107 crimes deste tipo registrados no ano anterior e 125 neste ano. A média seria de um assalto a cada 18 horas.

Para os motoristas dos transportes coletivos, o medo tem afetado não só no trabalho como também na vida pessoal. Como o caso de José Everaldo dos Santos Silva, de 53 anos. Motorista de ônibus por 10 anos, Everaldo, mais conhecido como “Espanta”, está afastado hoje com uma licença médica por não possuir mais condições psicológicas de exercer sua profissão.


“Eu já fui vítima de assalto dirigindo e cobrando durante três vezes seguidas. Foi com arma branca e arma de fogo na cabeça. E depois disso fiquei com trauma de dirigir. Já faz 4 anos e 4 meses que estou na perícia e fiquei com um transtorno depressivo e não tenho mais condições de trabalhar. Foi constatado pelo médico que eu estou incapacitado através dos assaltos que sofri”, disse Everaldo.

A vida do motorista mudou completamente desde então e na sua rotina foram adicionadas doses de diversos remédios. Diariamente Everaldo luta para tentar resgatar sua antiga vida, tarefa que não tem sido fácil. “Até para andar de ônibus como passageiro a gente fica completamente assustado e sem condições de exercer a nossa profissão, que é o que dá sustento à nossa família. Hoje estou sem condições de trabalhar. A médica me incapacitou de dirigir definitivamente, pois eu não tenho mais condições psicológicas de sentar no volante e dirigir um transporte coletivo”, concluiu.

O motorista Roberto Belo, de 39 anos, também sofre por ter sido vítima da violência e hoje segue afastado de sua função. “Tomo remédio de manhã, de tarde e de noite pra dormir. Eu não me vejo mais dirigindo ônibus. Há sete anos trabalho nos transportes coletivos, sendo que há três estou na perícia. Em um período de quatro anos e meio sofri oito assaltos”, disse.

Para Everaldo, o problema precisa ser resolvido o quanto antes palas autoridades. “Imagina, a gente que trabalha diariamente com dinheiro, interligado à vida da população, transportando gente e ser assaltado assim. O trauma é grande. Sou motorista há anos e falo por todos os motoristas: a gente não se sente seguro em trabalhar. Isso é um descaso do Governo do Estado que garantiu a segurança e nós não temos essa segurança hoje para exercer a função que fomos designados”, afirmou.

Para a população a sensação não é diferente e quem já passou pela experiência não a deseja para ninguém. “Na hora é bem uma mistura de medo e nervosismo, apesar de ter que ficar parado devido às ameaças, dá uma sensação bem chata de revolta e incapacidade”, disse o estudante Luiz Fernando Melo da Rocha, de 20 anos.

“Já fui assaltada em ônibus duas vezes, fora as vezes que fui abordada em outras situações. Tanto que ouvimos falar sobre a garantia da segurança pública e hoje vemos esse caos na nossa cidade, no nosso estado todo. O Governo não faz nada e ficamos aqui, indefesos, vivendo essa injustiça. É revoltante demais”, disse uma senhora que preferiu não se identificar por medo de ser reconhecida.

A redação do Agora RN tentou entrar em contato com a Sesed para tomar conhecimento sobre as medidas discutidas para a solução da insegurança nos transportes coletivos. De acordo com a assessoria, os números foram sim discutidos, mas até o fechamento desta reportagem nenhuma solução foi apontada.

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