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domingo, 22 de abril de 2018

NOVAS REGRAS PARA CHEQUE ESPECIAL E CARTÃO DE CRÉDITO NÃO REDUZEM ENDIVIDAMENTO

As novas regras anunciadas pelos bancos, que passam a valer em julho, para o cheque especial — a oferta de parcelamento, a juros mais baixos, a quem passar mais de 30 dias usando 15% do limite — podem ser insuficientes para reduzir o nível de endividamento dos brasileiros, avaliam especialistas. O risco é que, em alguns casos, a situação até se agrave, dizem, fazendo um paralelo com as mudanças no rotativo do cartão de crédito, que acabam de completar um ano. Também baseadas em financiamento, a juros menores, para quem passar mais de um mês no rotativo, as alterações nos cartões garantiram aumento na adimplência, mas agravaram o endividamento, afirmam. Pesa para isso o fato de que, para as instituições financeiras, não há negociação quando as contas estão em dia, independentemente do quanto da renda esteja comprometida com dívidas. Dos 61 milhões de brasileiros inadimplentes, 30 milhões já podem ser considerados superendividados, calcula Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

A troca de dívidas pode diminuir a exposição aos juros do rotativo ou do cheque especial imediatamente, mas o endividamento continua, só que numa progressão mais lenta. E apresenta a possibilidade de descontrole com múltiplas operações de crédito, aumentando o comprometimento da renda e a dificuldade para entendimento de saldos — afirma a economista.

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