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quarta-feira, 25 de julho de 2018

MP PEDE INTERVENÇÃO NA CAERN

Rio Potengi faz parte da Zona de Proteção Ambiental-8 (ZPA-8), a maior de Natal (Foto: João Maria Teixeira) 
O Ministério Público pediu à Justiça que nomeie um interventor para atuar na Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Segundo o MP, a companhia está despejando esgoto sem tratamento no rio Potengi.


A constatação do crime ambiental veio com os resultados laboratoriais de exames elaborados pela UFRN e pela Funcern, além de vistorias técnicas feitas pelo próprio MP e pelo Idema nas oito Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) da cidade. 




"Até mesmo na ETE do Baldo, inaugurada em 2011 ao custo de mais de R$ 80 milhões", foi flagrado em abril deste ano o lançamento de esgoto bruto para o rio sem passar antes pelo sistema de tratamento", afirma o MP. 





Intervenção


No pedido, a 45ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Natal requer que o interventor trabalhe na estrutura interna da Caern, com ou sem afastamento dos atuais diretores da Companhia, com poderes para realizar todos os atos destinados à adequação ambiental das Estações de Tratamento de Esgotos. O objetivo do pedido é fazer com que os esgotos coletados sejam tratados com eficiência para encerrar a poluição hídrica do estuário do rio Potengi. 


No documento, o MP ainda ressalta que o pedido de intervenção na Caern “revela-se como a única e última alternativa capaz de solucionar o grave problema das ETEs, já que restaram frustradas todas as demais tentativas realizadas na esfera administrativa, na esfera extrajudicial e até mesmo na esfera criminal”. 




Para solucionar o problema, o MP firmou, em 2004, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Companhia. Diante do não cumprimento desse TAC, em 2007, o Ministério Público ajuizou uma Ação Civil Pública. Em 2010, a Justiça potiguar sentenciou a Companhia a adequar as ETEs às normas ambientais em até dois anos. Como mais uma vez não houve cumprimento das decisões judiciais, o MPRN denunciou a Caern e presidentes dela por crimes de poluição tendo como base a Lei de Crimes Ambientais. Paralelamente, o Idema expediu várias solicitações de providências à Caern visando a adequações das ETEs. 


As obrigações acordadas e homologadas judicialmente foram para determinar que a Caern realize a adequação ambiental de todas as Estações de Tratamento de Esgotos que a empresa opera: Beira Rio, Facultativa I, Facultativa II, Lagoa Aerada, Jardim Lola I, Jardim Lola II, Baldo e Distrito Industrial de Natal. De acordo com os prazos concedidos na sentença judicial de abril de 2010, todas as ETEs já deveriam estar adequadas e tratando com eficiência os esgotos coletados desde 2012. 




No pedido de intervenção enviado à Justiça, o MPRN frisa que “passados mais de oito anos da sentença, há lagoas que possuem operação tão deficiente que há momentos em que servem apenas como transferência de esgotos in natura para as águas do estuário do Potengi, como foi a situação flagrada na ETE Bom Pastor durante vistoria realizada no dia 31 de julho de 2017. A lagoa estava vazia e os esgotos estavam sendo lançados diretamente no estuário”. 


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