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terça-feira, 4 de junho de 2019

80% DAS BARRAGENS DO RN APRESENTAM ÍNDICES ALTOS PARA A CATEGORIA DE RISCO E POSSIBILIDADE DE DANO AMBIENTAL, DIZ RELATÓRIO

Barragem do Bola I, em Paraú, está na lista dos 60 reservatórios já vistoriados este ano pelo IGARN — Foto: Igarn
Pelo menos 80% das barragens ou reservatórios potiguares com capacidade de armazenamento superior a 3 milhões de metros cúbicos de água apresentam índices altos para a categoria de risco e possibilidade de dano ambiental. É o que aponta um levantamento elaborado pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (IGARN). O documento, no entanto, ainda é parcial. 

O G1 teve acesso ao levantamento, que traz dados de 31 das 60 inspeções feitas este ano pela equipe técnica do instituto. Os relatórios restantes destas inspeções estão sendo concluídos. Até o final de 2019, outras 60 inspeções devem ser realizadas, também gerando relatórios. 

Segundo o IGARN, "é importante esclarecer que a categoria de risco (CRI) é um índice de segurança que faz aumentar a responsabilidade do empreendedor responsável pelo reservatório, de forma que ele tenha ciência do risco. Para isso, a barragem precisa receber manutenção continuada e este responsável sempre deve manter atualizado o Plano de Segurança de Barragem". 



Já o chamado Dano Potencial Associado (DPA), "é o que classifica o risco ambiental, socioeconômico e potencial de perda de vidas humanas que a barragem pode causar se ela vier a romper, sem necessariamente indicar algum perigo disso ocorrer", destaca. 

Ainda de acordo com o IGARN, logo após a consolidação das inspeções, são emitidas notificações aos empreendedores responsáveis pelos reservatórios. “Em 2018, o IGARN realizou 65 vistorias nas barragens do estado. Já este ano, a meta é de realizar 120 vistorias. No âmbito geral, as barragens apresentam aspectos similares, ou seja, necessitam de manutenções preventivas periódicas”, destaca o documento. 

O objetivo das inspeções é evitar que se repitam incidentes como o ocorrido no mês de abril na região Central do estado, mais precisamente entre os municípios de Santana do Matos e Fernando Pedroza, quando chuvas superiores a 220 milímetros provocaram o rompimento de pequenos reservatórios, ponto em sério risco a barragem São Miguel II, que possui capacidade para armazenar até 8 milhões de metros cúbicos de água. O fato obrigou o governo a intervir no reservatório, de forma a reduzir a capacidade de armazenamento da barragem. 

Um outro reservatório, o açude São Miguel I, também em abril, chegou a transbordar, causando uma enxurrada. A força da água levou embora a cabeceira de uma ponte na RN-041, prejudicando o acesso da população ao município de Santana do Matos. Dois carros foram arrastados pela correnteza. Duas pessoas foram resgatadas com ferimentos leves. 
Canal aberto para o escoamento da água acumulada no açude São Miguel II ajudou a diminuir vazão no sangradouro e o risco de rompimento da parede do reservatório — Foto: Defesa Civil do RN
As 60 barragens vistorias ficam em 16 municípios: Angicos, Afonso Bezerra, Caicó, Fernando Pedroza, Jardim do Seridó, Lajes, Macaíba, Mossoró, Paraú, Parelhas, Pedra Preta, Pedro Avelino, Santa do Matos, São Paulo do Potengi, Tangará e Upanema. 

“Este trabalho de vistoria é de suma importância, porque ele configura o mais abrangente e o mais atual levantamento sobre as condições dos reservatórios do Rio Grande do Norte”, destacou Caramuru Paiva, diretor-presidente do IGARN. 
Equipe do IGARN durante inspeção na barragem de Umari, em Upanema — Foto: Igarn
Ainda de acordo com o gestor, a partir das vistorias concluídas já é possível observar e apontar quais caminhos os proprietários e o próprio poder publico deverão adotar para que se possam reduzir os níveis atuais de problemas identificados. 

“E, assim, garantir que os açudes e barragens cumpram o importante papel de vetor do desenvolvimento e promotor da qualidade de vida, sobretudo no estado aonde cerda de 90% dele é semiárido, que é o caso do nosso Rio Grande do Norte”, acrescentou.

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