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segunda-feira, 10 de junho de 2019

CONVERSAS MOSTRAM QUE MORO ORIENTOU DALLGNOL NA LAVA JATO


Uma série de mensagens divulgadas pelo site The Intercept mostra que o ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro, orientou ações do Ministério Público Federal no âmbito da operação Lava Jato. Os diálogos no aplicativo Telegram foram obtidos, segundo o site, por um hacker que compartilhou o material de forma anônima.

O interlocutor de Moro nas conversas vazadas é o procurador Deltan Dallgnol, do MPF, autor da denúncia que levou à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex do Guarujá. Entre os trechos divulgados, está a indicação, por parte de Moro, de uma pessoa “aparentemente disposta” a falar sobre imóveis relacionados ao petista.

As mensagens também mostram que o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde correm os processo da Lava Jato, chegou a queixar-se de recursos que poderiam atrasar a execução de pena de um acusado e fez sugestões no cronograma de fases da operação.



Moro e Dallagnol ainda trocaram mensagens sobre a divulgação, pelo então juiz federal, de conversas telefônicas interceptadas entre Lula e Dilma Rousseff (PT) quando a ex-presidente decidiu indicar o líder petista para chefiar a Casa Civil, em um dos últimos atos para tentar salvar seu governo, em março de 2016.
A estratégia foi discutida entre os dois, mostra a reportagem: “A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeação, confirma?”, pergunta Dallagnol. “Qual é a posição do MPF?”, retorque Moro, a que o procurador responde “Abrir”. A iniciativa foi criticada pelo fato de Dilma ter foro privilegiado e qualquer suspeita contra ela deveria ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal.

“A liberação dos grampos foi um ato de defesa”, escreveu Dallagnol a Moro. “Não me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim”, respondeu o então juiz. Mais tarde, a decisão de Moro foi cassada pelo ministro do STF Teori Zavascki, que a considerou ilegal e inconstitucional. Em resposta à corte, o juiz pediu “escusas”.

Os procuradores do MPF e o ex-juiz Sergio Moro manifestaram por meio de nota. Embora não neguem o teor das mensagens divulgadas, todos destacam a origem ilegal dos vazamentos. “Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas se sabe que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho”, diz a nota subscrita pelos procuradores da Lava Jato.

Moro também afirmou que o conteúdo foi retirado do contexto. “Não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.”

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