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segunda-feira, 15 de julho de 2019

JOÃO CÂMARA JÁ TEM SEIS TREMORES REGISTRADOS SÓ EM JULHO

Vista aérea da Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens (Foto: Divulgação/Prefeitura de João Câmara)
O tremor de magnitude 2.5 na Escala Richter registrado nesse fim de semana em João Câmara foi o sexto no município somente em julho. Os tremores deixaram no ar a curiosidade sobre se o que está acontecendo é o início de um período de intensa atividade sísmica na região conhecida a ‘Terra dos Abalos’, devido ao histórico de ocorrências do tipo.
Além do tremor de magnitude preliminar 2.5 registrado na última sexta-feira, 13, outro abalo sentido no último dia 4 é tido como considerável. Naquele dia, estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) operadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a UFRN, registraram 1.5 na escala que vai até 9. Os outros quatro tremores, de tão leves, foram sentidos apenas pelos equipamentos.
“Minha casa é forrada com PVC, e ouvi o PVC estalar. Também dava para ouvir um barulho forte, parecido com um trovão, mas bem mais forte. Eu estava sozinha, e tive muito medo. Eu já tinha ouvido outros tremores aqui, mas não como esse”, relatou Ivanna Carla, 25, sobre o tremor da última sexta.


Para Flauber Costa, técnico do Laboratório Sismológico da UFRN, o LabSis, só o tempo dirá se os eventos são isolados ou se são o começo de uma série sísmica. “Infelizmente, ainda não temos como prever o que pode acontecer, por exemplo, amanhã. Nossa tecnologia permite que a gente registre os eventos que, por sinal, são normais para João Câmara”, comentou.
Mas, para o técnico, os seis abalos são poucos para o que poderia ser considerado o início de um período de intensa atividade. “Para se ter o que chamamos de enxame sísmico teria que haver um grande número de tremores em um curto intervalo de tempo. Centenas em um dia”, comentou.
Os eventos são considerados normais pera o técnico do LabSis porque João Câmara está encravada na região onde existe a maior falha geológica do Brasil, a chamada ‘Falha de Samambaia’. “É uma área sismicamente ativa. Ali nunca parou de tremer”, citou.
Dona Francinete Albuquerque, 75, sabe bem que os tremores sempre existiram em João Câmara e que, diversas vezes, causou alvoroço. “Eu lembro que quando eu era adolescente e morava lá na ‘Serra do Turrião’ aconteceram os primeiros grandes tremores e muita gente desertou de lá. O povo botava os móveis nos carros e saía. As casas, eles vendiam com o preço bem baratinho. Foi assim que meu pai saiu do sítio para morar na cidade, aproveitando o valor baixo dos imóveis”, recordou.
Em meio a tantos tremores, um segue na memória de quem o sentiu, mesmo mais de 30 anos depois do acontecimento. Em novembro de 1986, a terra tremeu 5.1 na Escala Richter em João Câmara. Há relatos de gente que preferiu dormir nas ruas do que debaixo de um teto por estar com medo de um desmoronamento.

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