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terça-feira, 29 de outubro de 2019

AUMENTA NÚMERO DE CASOS DE SÍFILIS NO RIO GRANDE DO NORTE

O número de casos de sífilis aumentou no Rio Grande do Norte. Em 2018, foram 1.713 casos, contra 1.422 em 2017. O Estado teve a 3ª maior taxa por 100 mil habitantes do Nordeste, com 49,2. O RN ficou atrás apenas de Pernambuco e Bahia nesse quesito. Até junho de 2019, 933 casos já foram registrados no Estado. De 2010 até então, são 6.659 casos de sífilis. No Estado, cinco potiguares morreram por sífilis congênita no ano passado.

Os dados foram retirados do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, que divulgou o relatório na última sexta-feira (25).

O quantitativo de gestantes com sífilis também apresentou crescimento: de 424 para 794 em um ano. Essa situação levou o Estado a ter 579 casos notificados de sífilis congênita em menores de um ano de idade. Levando em consideração a taxa de incidência por 1.000 nascidos vivos, o RN teve a 4ª maior do país, com taxa de 12,5.



O relatório separa a notificação da doença em três tipos: adquiridas, em gestantes e congênitas, que são os casos em bebês que ocorrem quando a mãe não teve o tratamento adequado durante a gestação.

Nacionalmente, em 2018, foram notificados no Sinan 158.051 casos de sífilis adquirida; 62.599 casos de sífilis em gestantes; 26.219 casos de sífilis congênita e 241 óbitos por sífilis congênita.

Para o microbiologista Kênio Costa Lima, pesquisador do projeto “Sífilis Não”, o crescimento dos casos no Rio Grande do Norte e no país são reflexo do aumento das testagens rápidas, disponíveis no SUS, além do fato de que a população ainda desconhece a doença.

“A gente tem essa mistura: os casos aumentando e as pessoas sendo mais diagnosticadas. Por isso que você deve ver sempre essa tendência crescente dos casos. Isso é importante porque as pessoas estão tendo conhecimento acerca da sua condição relativa a doença. Quando converso com as pessoas a população de modo geral não sabe o que é sífilis. Ela está se inteirando agora, com essa divulgação maciça. Todo mundo achava que era uma doença do passado, como de fato ela era”, reforça.

Com o risco da doença ser transmitida para os bebês, ainda na gestação, o pesquisador comenta ainda que essa situação é “inadmissível” e que profissionais do sistema de saúde não cobram o teste rápido no momento do pré-natal, fazendo com que a sífilis passe despercebida.

“É uma batalha que a gente tem porque temos que erradicar efetivamente. É inadmissível que consigamos identificar casos de sífilis congênita. Hoje a gente ainda vê, pessoas em vários municípios, que estão fazendo seu pré-natal e o médico, no sistema de saúde de um modo geral, não pede um teste rápido para sífilis. Os profissionais precisam se informar mais e estarem atentos ao que está acontecendo”, comenta.

Tida como uma doença “medieval”, de acordo com Klênio, o tratamento para a sífilis é feito basicamente por meio da penicilina. Ele cita ainda que em alguns países a taxa de incidência da sífilis supera a do HIV, justamente pelo fato da segunda doença ter tido uma atenção maior, em termos midiáticos, nos últimos anos.

“O que deduzimos a partir disso: na verdade, em relação ao HIV, as pessoas estão tomando medidas de precaução e em relação a sífilis, não. A profilaxia pré-exposição é algo que as pessoas fazem para elas não contraírem o HIV. Elas sabem que vão fazer sexo desprotegido e faz o uso da PrEF e continua fazendo sexo sem camisinha. Só que não existe PrEF para sífilis. Então as pessoas vão contrair o Treponema Pallidum, bactéria associada a sífilis”, explica.

A sífilis
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária).

Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior. A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada ou para a criança durante a gestação ou parto.

A infecção por sífilis pode colocar em risco não apenas a saúde do adulto, como também pode ser transmitida para o bebê durante a gestação. O acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal previne a sífilis congênita e é fundamental.

O diagnóstico da sífilis é feito por meio do teste rápido (TR), disponível nos serviços de saúde do SUS. Prático e de fácil execução, o resultado sai em até 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. Esta é a principal forma de diagnóstico da sífilis.

A prevenção da doença pode ser feita com o uso correto e regular da camisinha, sendo a medida mais importante de prevenção. Gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal devem ser acompanhados para contribuir para o controle da sífilis congênita.

Tratamento
A sífilis possui basicamente um tratamento: o uso da penicilina benzatina (benzetacil), que poderá ser aplicada em unidades básicas de saúde.

Quando a sífilis é detectada na gestante, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, com a penicilina benzatina. Este é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical, ou seja, de passar a doença para o bebê.

Fonte: Tribuna do Norte

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