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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

CANDIDATAS COBRAM QUE GOVERNO DO RN CONVOQUE MAIS MULHERES NO CONCURSO DA PM

Candidatas aprovadas no concurso da PM do Rio Grande do Norte cobram convocação de excedentes — Foto: Cedida

Candidatas aprovadas no último concurso para a Polícia Militar do Rio Grande do Norte querem que o governo do estado convoque mais candidatos que o total de mil previstos no edital. O motivo, de acordo com elas, foi a mudança da nota considerada ponto de corte, nas provas objetivas, que reduziu o número de mulheres na disputa. A previsão é de que a convocação aconteça até a próxima quinta-feira (19) e o curso de formação dos soldados tenha início em janeiro. 

O edital previa 938 vagas para homens e 62 para mulheres - isso representa que as candidatas mulheres só podiam concorrer a 6,2% das vagas. Apesar disso, nem todas as vagas para o sexo masculino haviam sido preenchidas, porque os candidatos não atingiram o ponto de corte. Com isso, cerca de 200 mulheres a mais foram chamadas para as etapas seguintes, compostas de exames médicos, testes físicos, psicológicos, entre outros, com objetivo de suprir a quantidade total de cargos. 

Porém, um Termo de Ajustamento de Conduta assinado entre o governo e o Ministério Público, em julho deste ano, baixou a nota de corte da prova de Geografia do Brasil e do RN, após decisões judiciais. Com isso, cerca de 400 candidatos voltaram ao páreo e tiraram da concorrência direta as mulheres que haviam entrado no lugar deles, segundo a candidata Iolanda Kalynne, de 31 anos, uma das representantes do grupo. 



"Eu tirei uma nota de 8,5, mas estou fora, enquanto há candidatos homens com nota 6 e que só entraram depois que o governo baixou a nota de corte. Temos cerca de 200 mulheres que tiraram notas melhores, mas estão fora simplesmente porque o concurso não é de ampla concorrência. O que a gente queria é que o governo pelo menos convocasse todos os candidatos aprovados em todas as etapas. O quadro da Polícia Militar tem déficit, o número de vagas femininas nunca foi completamente preenchido e o governo teria mais custo fazendo outro concurso. Então, a gente defende que a governadora convoque todos", afirma. 

No total, 1.342 candidatos teriam sido aprovados para o curso de formação, sendo 1.073 homens e 269 mulheres, porém, apenas os 938 homens e 62 mulheres devem ser convocados inicialmente. 

De acordo com o TAC firmado entre o governo e o Ministério Público, "o aumento da quantidade de candidatos aprovados na prova objetiva em virtude do rebaixamento do ponto de corte da disciplina Geografia do Brasil e do RN não importará a exclusão das candidatas que, estando acima do limite de redações a serem corrigidas (124 melhores classificadas), continuaram no concurso e obtiveram aprovação na redação e no exame de saúde". 

Com isso, foi aprovado um número maior que o de vagas. Segundo Iolanda, não existe uma comissão formal para tratar do assunto com o governo, porém, o grupo já teria se reunido cerca de seis vezes com a gestão, somando encontros com a própria governadora Fátima Bezerra (PT), além dos secretários do gabinete civil e da Segurança Pública. 

"Não são mulheres excedentes. São mulheres que tiveram a nota exorbitantemente maior que a dos homens e não poderão ocupar suas vagas por serem mulheres. Ato claro de misoginia", argumenta. 

Procurada pelo G1, a Secretaria de Administração afirmou que, como o Curso de Formação é de responsabilidade da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o número de convocados inicialmente será definido pela corporação. Ainda de acordo com a pasta, os mil candidatos previstos pelo edital serão convocados e o número pode aumentar desde que haja dotação orçamentária própria e disponível e vagas em aberto, aprovadas por lei. 

"A comissão do certame não se posicionará sobre o tema no momento", informou, ainda, em nota. A assessoria de comunicação da Polícia Militar também informou que a corporação não vai se posicionar sobre o assunto. O G1 ainda questionou a corporação sobre o número de militares e o número de mulheres na corporação, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.

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