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segunda-feira, 2 de março de 2020

APÓS FIM DE SEMANA COM TRÊS FEMINICÍDIOS, PROTESTO PEDE FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES E LEMBRA MORTE DA ESTUDANTE ZAIRA CRUZ

Comunidade de Currais Novos se reuniu em protesto pelo fim da violência contra as mulheres — Foto: Rayssa Aline/Cedida

A uma semana do Dia Internacional da Mulher, o Rio Grande do Norte teve dois dias com três casos de feminicídio em diferentes cidades do estado. Um deles aconteceu no sábado (29) e dois neste domingo (1º). Nesta segunda-feira (2), a comunidade de Currais Novos, no Seridó potiguar, se reuniu em um protesto pelo fim da violência contra as mulheres, em alusão à data de um ano do assassinato de estudante Zaira Cruz, cujo ex-namorado, o PM Pedro Inácio, é o principal suspeito. 


De acordo com a Coordenadoria de Estatísticas e Análise Criminal (Coine) da Secretaria de Segurança, entre janeiro e este início de março de 2020 seis mulheres foram vítimas de feminicídio no RN. Os crimes aconteceram em seis cidades: Natal, Taipu, Jardim de Piranhas, Jucurutu, Tabuleiro Grande e Francisco Dantas. 

População de Currais Novos protestou em lembrança à morte de Zaira Cruz e pelo fim da violência contra as mulheres — Foto: Rayssa Aline/Cedida
Este último ocorreu no sábado (29), quando Joana Dark foi assassinada com, pelo menos, oito facadas dentro de casa pelo próprio companheiro, que foi preso em flagrante. No domingo (1º), em Taboleiro Grande, a vítima foi Karla Simone da Silva, de 30 anos de idade. Ela foi encontrada morta em um motel. Karla tinha marcas de pauladas e facadas por todo o corpo.


Segundo as investigações, o agressor teria reconhecido o carro da vítima estacionado em um motel da cidade. Ele não aceitava o fim do relacionamento dos dois. O suspeito furou os pneus do veículo, se passou por cliente na recepção e em seguida quebrou a porta do quarto, onde Karla estava com o atual namorado. 


Protesto em Currais Novos marca um ano da morte da estudante Zaira Cruz e pede fim da violência contra as mulheres — Foto: Rayssa Aline/Cedida
A PM acredita que o homem tenha atingido a mulher com uma faca e um pedaço de madeira. O agressor também atacou o namorado de Karla, que foi ferido no olho e socorrido ao hospital. O suspeito fugiu e ainda não foi localizado. 


No mesmo dia, em Taipu, Ieda Railene Nascimento Coutinho da Silva, de 28 anos, foi brutalmente assassinada com golpes de machado. José Carlos de Lima Silva, marido dela, foi preso pela guarda municipal da cidade acusado do crime e disse que o motivo de tê-la matado foi ciúmes

Ieda Railene Nascimento Coutinho da Silva, de 28 anos, foi assassinada a golpes de machadadas no RN — Foto: Redes sociais


Protesto em nome de Zaira

No dia 2 de março de 2019, a estudante universitária Zaira dos Santos Cruz, de 22 anos, foi assassinada durante o carnaval de Caicó, no Seridó potiguar. Nesta segunda, um ano depois, familiares, amigos e outras pessoas que residem em Currais Novos, cidade em que ela vivia, se reuniram em um protesto para pedir o fim da violência contra as mulheres. 


Zaira foi encontrada morta na manhã do sábado de carnaval dentro de um carro em um condomínio no município de Caicó. Ela, Pedro Inácio e mais um grupo de amigos alugaram uma casa para passar a festividade na cidade. Segundo as investigações da Polícia Civil, Zaira Cruz foi assassinada pelo PM por asfixia mecânica, ou seja, foi estrangulada.

Os dois não estavam namorando, mas mantinham um relacionamento, ainda de acordo com a polícia. “No dia 2 de março de 2019, Zaira Cruz encontra-se com ele no carnaval de Caicó. Ele fica com a vítima, dentro de um veículo, entre 2h14min e 3hs da madrugada. Neste lapso temporal, o policial tenta ter relação sexual com a universitária, porém ela nega. Diante da negativa de Zaira, ele a estupra e depois decide matá-la. Por volta das 3hs, Zaira é encontrada morta dentro do veículo, no banco do passageiro”, detalhou após a prisão do policial no ano passado o delegado Leonardo Germano, que conduziu a apuração do caso. 

Zaira Cruz tinha 22 anos — Foto: Arquivo Pessoal



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