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quinta-feira, 5 de março de 2020

APÓS REUNIÃO COM ESPECIALISTAS, SAÚDE DECIDE RECONHECER QUARTO CASO DE CORONAVÍRUS NO BRASIL

Desembarque de passageiros no aeroporto internacional de Guarulhos: população idosa é mais suscetível em caso de infecção respiratória. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
O secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, informou que há quatro casos confirmados do novo coronavírus no Brasil. Mais cedo, porém, o Ministério havia informado que eram apenas três confirmados. O quarto teste, que também deu positivo, não estava sendo contabilizado porque a paciente não apresentou sintomas de Covid-19, como febre e problemas respiratórios.
A pessoa em questão é em uma menina de 13 anos que viajou à Itália. Depois da divulgação da nota do Ministério da Saúde, houve uma reunião de representantes da pasta e especialistas em saúde pública em um hotel de Brasília. Lá ficou definido que a contabilidade seria de quatro casos confirmados.
Foram considerados quatro critérios para contabilizar o caso sem sintomas como confirmado: resultado positivo do teste; local provável de infecção, ou seja, passagem pela Itália, um dos países mais afetados pela epidemia; possibilidade de os sintomas terem sido mascarados, uma vez que ela foi medicada em um hospital italiano em razão de uma lesão sem relação com o novo coronavírus; e possibilidade de ainda desenvolver os sintomas.


A Itália, para onde a jovem viajou, é o maior epicentro da Covid-19 na Europa. Até o momento, foram registrados 3.089 casos e 107 mortes.
Inicialmente, a equipe da SVS havia deixado o caso fora da tabela de casos confirmados. Segundo Wanderson, foi uma falha da equipe dele, já corrigida. O secretário destacou que a menina de 13 anos teve um acidente na Itália e precisou ir ao hospital para tratar uma lesão.
— Não temos certeza se ela realmente não teve sinais e sintomas (na Itália), porque podia estar tomando um anti-inflamatório ou qualquer medicamento para abaixar a febre. Será que ela não teve febre? Não dá para saber — disse Wanderson.
Ele destacou ainda que é comum os mais jovens não terem sintomas quando contraem vírus.
— Vinte e cinco por cento das crianças e dos adolescentes até 17 anos não apresentam sintomas, então isso já é esperado. Na China (isso) aconteceu, tem vários artigos publicados, então isso já é esperado. A dúvida que paira é: ela não desenvolveu porque estava tomando anti-inflamatório e antipirético, ou seja, para baixar a febre, ou ela está no período de incubação e vai desenvolver (sintomas) ao longo do tempo? — indagou Wanderson.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, participou do começo do encontro com especialistas, mas já deixou o local. O secretário Wanderson de Oliveira continuará na reunião. Os especialistas — representando várias entidades da sociedade civil e órgãos públicos diferentes — vão se dividir em grupos e discutir vários pontos apresentados pelo Ministério da Saúde. À tarde, será feita uma síntese.
Algumas questões podem exigir mais tempo. O resultado ajudará a embasar as ações do Ministério da Saúde. Entre outras coisas, os especialistas discutirão os procedimentos a serem adotados em quarentena e isolamento domiciliar de pacientes com o vírus. As sugestões constarão em instruções normativas do ministério.
O Globo

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