RIO GRANDE DO NORTE ATINGE MARCA DE 80 MULHERES ASSASSINADAS EM 2020

 

REPRODUÇÃO

Nesta semana, em que se deu o encerramento da campanha internacional "16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres", o Rio Grande do Norte atingiu a marca de 80 mulheres assassinadas no decorrer deste ano. O número representa um cenário preocupante de violência letal contra vítimas do sexo feminino no estado.

Especialistas apontam diversas causas para essa onda de assassinatos de mulheres no território potiguar. Quando o fator motivador está relacionado a algum delito, o mais citado pelos estudiosos é o suposto envolvimento com o mundo das drogas. Por outro lado, também há os casos em que as vítimas são mortas unicamente em decorrência do gênero, ou seja, meramente pelo fato de ser mulher.

No entanto, no geral, as chamadas "mortes matadas de mulheres e meninas" no RN apresentou uma considerável redução nestes pouco mais de 11 meses de 2020, em comparação com o mesmo período de anos anteriores. Pelo menos é o que mostram os dados do Observatório da Violência (OBVIO). Segundo a entidade, em 2015, foram registrados no estado 104 assassinatos de mulheres.



No ano seguinte, houve uma ligeira queda na quantidade de casos. Foram 101 mulheres mortas no território potiguar, entre 1º de janeiro e 07 de dezembro de 2016. Já 2017 teve a maior alta dentro dos últimos seis anos mapeados pelo Obvio. Foram 150 "mortes matadas de mulheres e meninas" no RN. No ano seguinte, esse número caiu para 102 ocorrências. E em 2019, houve mais redução. O levantamento da entidade deu conta de 96 mulheres assassinadas.


RN já contabiliza 12 feminicídios nestes pouco mais de 11 meses de 2020

Nestes pouco mais de 11 meses de 2020, 12 mulheres já foram mortas no Rio Grande do Norte unicamente em decorrência do gênero, ou seja, meramente pelo fato de ser mulher. O crime caracterizado como feminicídio já fez dezenas de vítimas em todo o estado nos últimos seis anos.

As estatísticas do Observatório da Violência (OBVIO) revelam isso. De acordo com o levantamento da entidade, foram 164 feminicídios no território potiguar entre 1º de janeiro e 07 de dezembro, de 2015 a 2020. O primeiro ano pesquisado foi o mais violento nesse quesito. Foram 36 crimes letais contra a vida vitimando mulheres por questão de gênero e/ou violência doméstica.

Em 2016, teve uma leve diminuição. Foram registrados pelo Obvio 34 feminicídios no RN. A tímida queda continuou no ano seguinte, com a notificação pela entidade de 32 casos. A redução em 2018 também foi sensível. O ano contabilizou 29 assassinatos de mulheres em decorrência do gênero, ou seja, meramente pelo fato de ser mulher.

No ano passado, a queda foi um pouco mais acentuada. O Obvio computou 21 feminicídios em todo o estado, também entre 1º de janeiro e 07 de dezembro. Já neste ano, a redução foi ainda maior. Nestes pouco mais de 11 meses de 2020, 12 mulheres foram mortas no território potiguar por questão de gênero e/ou violência doméstica. Neste comparativo de 2019 para 2020, a diminuição foi de quase 43%.

Os casos de feminicídio neste período dentro dos últimos seis anos totalizaram 164.

 


Especialistas ligam violência doméstica à dependência material, emocional e afetiva

A violência doméstica e familiar contra a mulher está fortemente ligada a fatores como dependência material, emocional e afetiva. É o que apontam duas especialistas que assinam um dos artigos que compõe a obra lançada recentemente sobre o assunto, pelo Senado Federal.

A publicação "Histórias de amor tóxico: a violência contra as mulheres" traz um texto assinado por uma psicóloga e por uma antropóloga, onde afirmam que o dependente está pronto a fazer qualquer coisa para não se encontrar só. "Algumas pessoas se submetem a qualquer situação destruidora, doentia e perigosa para evitar a solidão", avaliam em um trecho, acrescentando que isso contribui também até para que a vítima não denuncie.

As especialistas pontuam que no campo das violências domésticas, estamos confrontados a um fenômeno de reprodução social, que representa "um verdadeiro problema de saúde pública que não está sendo levado a sério". A publicação chama atenção para a necessidade de voltar o olhar às mulheres que, mesmo vivendo situações de violência doméstica no cotidiano de suas relações íntimas, não se percebem como vítimas.

"Políticas públicas para enfrentamento à violência contra mulheres devem levar em consideração que essas mulheres normalmente não estão no radar dos serviços públicos de atendimento a mulheres em situação de violência, em especial delegacias, comuns ou especializadas", analisa em outro trecho.


Por Fábio Vale - Repórter do JORNAL DE FATO

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