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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

MORTES VIOLENTAS CRESCEM 3% E RIO GRANDE DO NORTE TERMINA 2020 COM 1.499 MORTES

 

Homicídios registraram crescimento em 2020 no Rio Grande do Norte. — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

O Rio Grande do Norte terminou o ano de 2020 com um crescimento de 3% no número de mortes violentas na comparação com o ano anterior, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (13) pela Secretaria de Segurança do Estado. Ao todo, o RN registrou 1.499 vítimas de janeiro a dezembro, contra 1.455 no mesmo período em 2019. Foram 44 mortes a mais.

Os dados foram levantados pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais do governo. Em 2020, o mês mais violento foi abril, com 156 mortes, e setembro foi o que registrou menos vítimas, com 95 casos.

O crescimento registrado quebra uma tendência de queda que havia sido registrada em 2019, quando o RN reduziu em mais de 26% o número de mortes violentas, na comparação com 2018.

Quando separados os tipos de mortes violentas, os homicídios dolosos (com intenção de matar) subiram mais de 13,7%, passando de 1.074 no ano para 1.222 em 2020. Por outro lado as mortes por intervenção policial - aquelas de suspeitos em confronto com a polícia, por exemplo - reduziram cerca de 15,3%, caindo de 170 para 144 óbitos.



Também houve queda de 55% nos casos de lesão corporal seguida de morte, de 128 em 2019 para 57 no ano passado; e de 38% nos feminicídios, que baixaram de 21 para 13. Já os latrocínios seguiram praticamente as mesmas estatísticas: 63 em 2020 contra 62 no período anterior.

A capital do estado, Natal lidera os números de mortes violentas, seguida de Mossoró, São Gonçalo do Amarante e Parnamirim. Essas três, no entanto, tiveram redução de mortes em relação ao ano anterior, enquanto a capital registrou aumento.

Dez cidades com mais mortes violentas em 2020 na comparação com 2019 no RN

Cidade20192020Variação
Natal284296+ 4,22%
Mossoró222187- 15,7%
São Gonçalo do Amarante10374- 28,1%
Parnamirim8070- 12,5%
Macaíba8364- 22,8%
Ceara-Mirim4545zero
Extremoz3049+ 63,3%
São José de Mipibú2733+ 22,22%
Canguaretama3021- 30%
Caicó2426+ 8,3%
Outros527634+ 20,3%


Das quase 1.500 mortes violentas registradas ao longo do ano no estado 1.311 (87%) tiveram uso de armas de fogo. Outras 96 mortes foram com armas brancas, como facas, e 25 casos foram por espancamento.

Entre as vítimas estão pessoas como o arquiteto Eliedson Vinícius Marcelino de Menezes, de 39 anos, assassinado dentro do seu apartamento em Natal, no mês de maio. Um jovem de 18 anos foi preso e um adolescente apreendido pelo crime.

Outro caso que chocou foi do entregador Ayslam Henrique da Silva Vieira, de 23 anos, assassinado durante um assalto, em que os criminosos tomaram a moto com a qual trabalhava. O caso foi tratado como latrocínio - roubo com resultado de morte.

Os agentes de segurança também foram vítimas da violênciaUm deles foi o sargento F. Silva, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), atingido por tiros durante uma tentativa de assalto, em dezembro. Um suspeito do crime morreu nesta terça-feira (12), em confronto com a polícia.

Praticamente 70% das vítimas das mortes violentas no estado são pessoas de cor parda. Em seguida, o grupo que registra mais mortes é o de pessoas negras, com 227 vítimas. Porém, os brancos foram os que tiveram maior crescimento percentual, no número de casos, entre 2019 e 2020. Enquanto o percentual de pardos caiu 3,5% e o de negros subiu 1,79%, o número de vítimas de cor branca passou de 124 para 164 - aumento percentual de 32,2%.

Os jovens são as principais vítimas da violência. Quando o assunto é idade, a faixa etária que mais morre é de jovens entre 18 e 24 anos. Foram 481 em 2020. Somados aos jovens de até 29 anos, foram 752 mortes. Ainda de acordo com os dados, 91 crianças e adolescentes foram mortos no ano passado. 585 vítimas tinham entre 30 e 64 anos de idade.

Ainda de acordo com as estatísticas, 94% das vítimas da violência no estado eram homens, em 2020. No período, 84 mulheres foram assassinadas, ou seja, 19,2% a menos na comparação com 2019.

De acordo com a Secretaria de Segurança, também houve redução nos casos de ameaça contra a mulher. Foram registradas 4.089 denúncias desta natureza em 2019, contra 4.035 em 2020 (-1,3%). Os casos de agressão física contra a mulher também caíram. Foram 4.169 ocorrências de lesão corporal sem mortes registradas em 2019, contra 2.737 ocorrências deste tipo contabilizadas em 2020 (-34,3%).

Segundo dados apurados pela Coine, foram formalizados 3.324 casos de violência doméstica em 2019, contra 1.711 ocorrências registradas no ano passado – o que corresponde a uma queda de 48,5%. Esses dados, no entanto, não fazem parte do relatório sobre as condutas violentas letais intencionais.

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