APENAS 13% DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS POSSUEM UTI PARA PACIENTES COM COVID

 

Para os habitantes da maioria dos municípios brasileiros, contrair Covid-19 significa precisar de atendimento em outras cidades. E não só para UTI. Isso vale também para casos menos complexos. São dramas diários que explicam por que a rede de saúde de municípios colapsa independentemente dos casos de seus residentes. E evidencia que medidas de distanciamento social sem coordenação estadual e nacional são ineficazes, mostra um estudo do Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 

Dados do Conselho Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), referentes a fevereiro, revelam que apenas 741 (13,3%) dos 5.570 municípios brasileiros apresentam capacidade de atendimento de alta complexidade para Covid (UTI). O problema ganha dimensão maior quando se constata que não chega nem à metade (37,4%) o número de municípios (2.085) que consegue atender mais de 10% de seus habitantes que precisaram de internação, de qualquer grau de gravidade.

Registros do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), de abril de 2020 a fevereiro de 2021, por exemplo, indicam que pouco menos de um quinto dos municípios (1.029, ou 18,5%) conseguiram atender a mais de 10% dos casos de seus habitantes com necessidade de UTI ou de unidades de cuidados intermediários. Estas são estabelecimentos de saúde com respiradores e suporte para encaminhamento para UTI.

Com base em dados como esses, o estudo destaca que a regra na pandemia foi o brasileiro com Covid precisar se deslocar de sua cidade para conseguir atendimento. O deslocamento é um fator de agravamento da doença, além de camuflar focos da pandemia, diz o coordenador do trabalho, Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde e do Monitora Covid-19.

— Um prefeito não consegue resolver nada. É preciso ação coordenada em nível estadual e nacional. Governadores precisam trabalhar coordenando seus municípios e em conjunto com os estados conectados ao seu — diz Xavier.

Medidas compartilhadas

Intitulado “Redes de Atenção à Saúde para Covid-19 e os desafios das esferas governamentais: Macrorregiões de Saúde e a curva que devemos ‘achatar’”, o trabalho chama a atenção para o fato de que as conhecidas conexões de saúde têm sido quase sempre ignoradas em ações de contenção da pandemia.

 

Foram contabilizados 855.818 registros de hospitalização por Covid-19 até 30 de março e comparados os dados do município de residência com os do de internação.

Os pesquisadores viram que o fluxo de internação dos pacientes com Covid-19 se assemelha ao das demais doenças nas chamadas macrorregiões, compostas por um conjunto de municípios que devem tomar medidas compartilhadas para aumento da restrição ou relaxamento das medidas de distanciamento social.

O Rio de Janeiro é um dos estados com mais municípios com UTIs. Mesmo assim, o sistema não funciona porque os municípios adotam medidas diferentes de distanciamento.

Exemplos são Duque de Caxias e São Gonçalo, “exportadores” de pacientes com Covid-19 para Rio e Niterói, respectivamente, revelam dados do Sivep-Gripe analisados por Xavier, referentes ao período de 3 de março de 2020 a 2 de fevereiro de 2021.

— O município do Rio internou mais pacientes de UTI de Duque de Caxias do que a própria cidade Caxias. Quase metade dos pacientes de UTI de São Gonçalo foram para Niterói, que absorveu também grande parcela dos casos de Covid-19 de menor complexidade do município vizinho — salienta Xavier.

 

Ele acrescenta que, sem medidas conjuntas, Rio e Niterói, por exemplo, não conseguirão reduzir a demanda por leitos porque parte significativa da pressão vem de fora.

As redes de saúde e de transmissão se conectam. Isso significa que um prefeito pode decretar lockdown, mas ele não adiantará muito, se os municípios vizinhos não fizerem o mesmo.

Conexões semelhantes acontecem no nível estadual. O norte da Bahia e Pernambuco formam uma região de atendimento com intenso deslocamento de pacientes. Já o nordeste da Bahia interage com Sergipe.

Há relevante fluxo doentes do sudoeste de Minas para o norte de São Paulo e, de lá, para a capital paulista. O oeste de Santa Catarina e o sudoeste do Paraná têm intercâmbio de pacientes. E, em outro exemplo, o sul do Amazonas exporta pacientes para Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC).

— Adotar o sistema de redes é o caminho para conter a pandemia. O Ministério da Saúde precisa orientar e negociar com os governadores. Por vezes, há interesses conflitantes. É preciso uma coordenação nacional, e outra nos estados — enfatiza Xavier.

O GLOBO

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