CHACINAS NO RN EM 2021 PODEM TER LIGAÇÕES COM FACÇÕES CRIMINONAS

 

No dia 2 de março passado, a Polícia Civil registrou na comunidade do Mosquito, zona Oeste de Natal, o primeiro homicídio coletivo de 2021 no Rio Grande do Norte, quando três homens e uma mulher foram assassinados a tiros. Exatamente um mês depois, seis jovens foram mortos em Macaíba, na Grande Natal, numa diferença de trinta minutos e em pontos diferentes da cidade. Apesar de ainda não identificar ligação entre as duas chacinas, a Polícia investiga um elo entre os crimes e a briga entre facções criminosas por domínio de territórios.

Créditos: Alexandre LoureiroAté o momento, segundo investigação da Polícia Civil, as duas chacinas não possuem ligação entre si. Há registros de três facções atuando no RNAté o momento, segundo investigação da Polícia Civil, as duas chacinas não possuem ligação entre si. Há registros de três facções atuando no RN

Para seguir essa linha investigativa a Polícia identifica se há integrantes de facções entre as vítimas e analisa se a área da ocorrência tem ou não atuação de determinado grupo criminoso.

As investigações relativas aos crimes de homicídios ocorridos na comunidade do Mosquito, em Natal, e na cidade de Macaíba estão em andamento, sob sigilo, tramitando respectivamente na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e na Delegacia Municipal de Macaíba.

Segundo a Polícia, a princípio, diante dos elementos obtidos até o momento, as duas chacinas não têm ligação entre si, mas podem estar relacionadas com o conflito entre grupos criminosos. “No que diz respeito especificamente aos crimes ocorridos em Macaíba, há indícios de que se trata de um conflito entre uma facção criminosa local e uma facção do estado de São Paulo”, informou.

O Sindicato do RN é a facção potiguar, que teria ligação com o Comando Vermelho, organização criminosa com forte atuação no Rio de Janeiro e que rivaliza com o PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo. O grupo do RN e o de São Paulo são os mesmos cujos integrantes se digladiaram na sangrenta rebelião da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, no ano de 2017, que resultou em 27 assassinatos com cenas de selvageria, dezenas de fugas e destruição de parte da estrutura daquela unidade prisional.

A briga entre as duas teria resultado na última chacina do Mosquito. A Polícia disse que não tem elementos que indiquem a participação de uma terceira facção, a GDE (Guardiões do Estado), oriunda do Ceará que está presente, mesmo em menor proporção, no RN. “Não há elementos indicando que os crimes ocorridos na comunidade do Mosquito tenham sido ocasionados pela tentativa de uma facção criminosa cearense de se estabelecer no Rio Grande do Norte, mas seriam decorrentes de grupos criminosos que buscam estabelecer sua atuação na localidade”, informou.

Briga por território

Além do PCC, Sindicato e GDE, a Okaida, da Paraíba, também atua no Rio Grande do Norte, sendo o Sindicato a que tem o domínio maior. O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) tem acompanhado as investigações sobre a atuação desses grupos criminosos no Estado e identificou que a facção paulista perdeu território em Natal e Região Metropolitana e, por isso, tenta reaver esse poder, enquanto que o Sindicato do RN busca manter o controle e extirpar ainda mais o grupo inimigo.

Segundo o MPRN, há situações nas quais pessoas não ligadas ao crime, mas que moram em determinadas áreas de domínio de uma, serem assassinadas pelo simples fato de estarem na região dominada pela facção inimiga. Isto porque representaria um risco e se trataria de uma presença suspeita. “Os moradores já sabem que isso acontece. Quem é do Mosquito e vai para as Rocas, sabe que corre risco de ser morto por serem comunidades vinculadas a facções rivais”, explicou um dos promotores do MPRN.

Contudo, na maioria dos homicídios com essa motivação, trata-se de membros desses grupos criminosos, muito embora, outras pessoas que estejam perto ou acompanhadas destes também possam sofrer as consequências. Para o MPRN, a chacina de Macaíba representa uma forma da facção que domina quase todas as áreas daquela cidade demonstrar sua hegemonia. Contudo, caberá à Polícia confirmar essa tese no inquérito.

“A presença destes grupos tem crescido. O Estado atua em ações pontuais. Consegue entrar nessas áreas em operações e depois sai e o grupo que já está lá continua dominando. As pessoas que moram nesses bairros sabem que precisam seguir a autoridade que está presente e que domina a área e esta autoridade não é o Estado”, relatou o promotor.

A capital Natal e vários municípios, especialmente da Região Metropolitana, possuem localidades de difícil acesso à presença do Estado. As áreas ribeirinhas são notórias por funcionarem como escoadouros de material ilícito, se tornando locais desejados por qualquer grupo criminoso, como por exemplo, a comunidade do Mosquito. Além disso, esses locais se configuram em clássicas rotas de fuga e fácil esconderijo.

TRIBUNA DO NORTE

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