GUERRA NA UCRÂNIA DÁ NOVO IMPULSO A PROTAGONISMO PETRODITADURAS

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  Com menos petróleo russo no mercado e um embargo ao produto que deve começar na segunda-feira, governos autoritários produtores de petróleo são recebidos com cordialidade por países dependentes. O governo da Venezuela fez questão de divulgar em suas redes sociais uma imagem da COP-27 em que Nicolás Maduro é recebido calorosamente pelo presidente francês, Emmanuel Macron. O gesto chamou atenção porque, em 2019, a França rechaçou Maduro e reconheceu Juan Guaidó como líder da Venezuela. Mas, agora, em meio a uma crise de energia que ameaça a Europa em razão da guerra na Ucrânia, gestos amistosos com líderes autoritários como Maduro e Mohammed Bin Salman, da Arábia Saudita, voltaram à cena, já que ambos possuem uma commodity valiosa: petróleo. Na segunda-feira, a União Europeia dá o primeiro passo para embargar o petróleo da Rússia em retaliação à invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro. A sanção promete afetar o mundo todo, já que Moscou é um grande exportador da commodity. Em busca de a

POPULAÇÃO DECLARADA NEGRA TRIPLICA NO RN: "PROCESSO DE RECONHECIMENTO"

 


A advogada e militante pelos Direitos Humanos Renata Laize se autodeclara negra. Mas nem sempre foi assim. “O meu processo de reconhecimento como mulher negra se deu, em certa medida, tardiamente. Hoje tenho 41 anos e me deparei com essa problematização há cerca de quatro anos. Antes disso eu não conseguia identificar algumas questões que me ocorreram como vivências de racismo”, relatou.

“Eu exerço a advocacia há 18 anos, e durante toda a minha vida profissional eu vivenciei várias situações em que fui confundida, por exemplo, com uma cliente em espaços como os atendimentos e as audiências. Essa é a perspectiva que a escritora Lélia Gonzalez chama de ‘lugar do negro’, ou seja, o lugar subalterno, em que a pessoa negra não tem acesso a uma perspectiva de representatividade em profissões como advocacia, medicina ou engenharia”, diz Renata.

A convicção de se autodeclarar mulher negra veio após um evento internacional em 2018 na UFRN. Na ocasião, Renata assistiu à apresentação de uma estudante jovem negra do Pará, que trazia uma reflexão sobre as dificuldades da política de cotas em manter os estudantes negros na Universidade. “No final da apresentação, a jovem recitou uma poesia que trazia uma narrativa sobre os corpos que estavam empilhados em um navio negreiro enquanto faziam a travessia do Atlântico. Por um momento, visualizar todo o terror na perspectiva daquela poesia me trouxe uma vivência e uma reflexão de que ali estavam os meus ancestrais, e de que eu não poderia mais esconder e negar isso”, compartilhou ela.

Assim como Renata Laize, mais pessoas estão se declarando pretas no Brasil. De acordo com o mais recente levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2012 e 2021, a participação da população que se declara branca caiu de 46,3% para 43,0% no país. No mesmo período, houve crescimento da participação das pessoas autodeclaradas pretas (de 7,4% para 9,1%) e pardas (de 45,6% para 47,0%).

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), com foco em Características Gerais dos Moradores, também apontou que a população preta cresceu 32,4% e a parda, 10,8%, ambas com aumento superior ao da população do total do país (7,6%). Já a população branca ficou estável. Desde 2015, a maior parte da população residente no Brasil é a dos que se declaram pardos.

No Rio Grande do Norte, o cenário se assemelha ao nacional. De acordo com o levantamento, o número de pessoas que se declaram negras no estado triplicou em 10 anos. Em 2012, eram 89 mil residentes e, em 2021, esse número passou para 295 mil.

Motivos que explicam o crescimento

O aumento da autodeclaração de pessoas negras é resultado do movimento negro e da discussão que vem sendo feita ao longo do tempo. É o que pontua Jenair Alves, psicóloga que faz parte do coletivo de mulheres negras As Carolinas. A maior visibilidade das pautas negras, o questionamento do mito da democracia racial e o escancaramento do racismo são estratégias que, como ela afirma, têm sido importantes para pautar os avanços que a população negra teve nas política públicas, como por exemplo as cotas no ensino superior e no serviço público.

“O movimento de mulheres negras, sobretudo nos últimos dez anos, vem atuando fortemente em articular essas mulheres, denunciar a violência racial e organizar o bem-viver. Este bem-viver que defendemos também faz parte da nossa autoestima e autocuidado, e para tanto é importante nos reconhecer como pessoas negras, cada vez mais, para fortalecer nossa identidade individual e coletiva […] As pessoas estão reconhecendo sua cor preta, sua raça negra, e isso é extremamente importante para que fique registrado e sirva de base para políticas públicas realmente efetivas em um país que, de fato, é de maioria negra”, defendeu Jenair.

O papel da mídia também foi ressaltado pela psicóloga. De acordo com ela, o aumento de referências negras nos espaços da comunicação auxilia para que as pessoas pretas possam se sentir mais representadas. “As pessoas negras vêm tendo mais acesso a outras imagens de referência na mídia, nas redes sociais, no cinema e na TV. Isso, ao mesmo tempo que demonstra que essas pessoas existem, consomem e precisam ser representadas, também faz elas absorverem a ideia de ocupar outros lugares na sociedade, sobretudo espaços de poder. Ainda falta bastante para chegar ao ideal, mas não temos deixado de lutar”, finalizou. (*Supervisão da jornalista Nathallya Macedo).

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